O mineiro só fala as mesmas coisas?
- Sabrina Fernandes
- 14 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Tanto em ''Heresia'' quanto em ''Ladrão'', a crítica social é presente. Ele continua falando igual. O preconceito e as dificuldades ainda existem em 2019, assim como existiam em 1993 quando Racionais se lançou.

Foto: Divulgação.
Djonga. Sonolência observadora. Uma pessoa que está na dela, mas nada passa batido. Não poderia existir um significado melhor para o mineiro nascido em Belo Horizonte.
Gustavo Pereira Marques tem 25 anos e a nove compõe músicas. Djonga, diferente do imaginável, foi influenciado por funk e samba, o rap só apareceu em sua vida anos mais tarde. Racionais, Marcelo D2, Mano Brow, Elza Soares, Cazuza e Barão Vermelho são suas inspirações. Ele cita na primeira faixa de um de seus álbuns “Nem conhecem Racionais, vai ouvir um disco meu?” conhecendo os dois trabalhos podemos refletir que se você nunca ouviu Racionais, como entenderá o mineiro? O cara que não deixa nada passar batido, busca com suas letras criticar a sociedade e mostrar que o Rap não é uma música marginalizada, o rap é a realidade.
Em 2017, lançou seu primeiro disco, “Heresia”, que em 10 faixas mostram amor-próprio e resistência; como se vê em versos retirados de “O Mundo É Nosso”, última faixa do álbum, “Sou da tua raça, mano, é a nossa vitória / Quilombos, favelas, no futuro seremos reis, Charles / Seremos a negra mais linda desse baile, charme. “O menino que queria ser Deus” foi o segundo de seus três álbuns. Na música “Junho de 94”, Djonga destaca um pouco do que sua etnia já sofreu e critica o sistema, “Antigamente enfrentar medo era fugir de bala / Hoje em dia enfrentar medo é andar de avião / Antigamente eu só queria derrubar o sistema / Hoje o sistema me paga pra cantar, irmão / Eu sou daqueles que dá o papo reto e vive torto“.
Seu último álbum lançado foi “Ladrão”, que primeiramente foi disponibilizado apenas no YouTube, plataforma gratuita do Google – diferente de outros artistas que lançam primeiro em plataformas pagas, e como justificativa se dá seu público, suas raízes, os moleques que querem ouvir o rapper mas que não tem acesso a Spotify ou Deezer. Desde sua primeira composição, Djonga fala sobre os sua realidade, sobre os dilemas da vida e critica a sociedade, mas sem deixar o otimismo de lado. Como citado por ele mesmo “Dizem que só falo das mesmas coisas, é a prova que nada mudou, nem eu nem o mundo...”.


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